02/07/2003 11:13



Vampiros na Música



Mais de cem músicas de vampiros já apareceram no cenário musical contemporâneo das últimas décadas, abrangendo desde o superlativo até o execrável. O que é novo e diferente é a súbita alta concentração de músicas de rock and roll dedicadas ao assunto. Nenhum outro gênero musical conseguiu esse tipo de produção.

O vampiro na música rock

Músicas de vampiro podem ser divididas em cinco grupos: as que têm letra obviamente vampírica, as que são evasivamente vampíricas, as supostamente vampíricas, aquelas em que o vampiro é mencionado e as músicas de trilhas sonoras de filmes de vampiro. Letras óbvias contêm referências ao sugamento de sangue, aos "mortos-vivos", à existência notívaga, a uma "vítima" sendo drenada ou ainda a fome predatória por alguma pessoa. Letras supostamente vampíricas envolvem vampiros identificados ou pelo título ou por outras formas; a natureza da música ( por exemplo, thrash metal ou Death metal), todavia, torna impossível decifrar o que está sendo cantado. Canções nas quais os vampiros são mencionados têm como foco principal uma outra coisa, geralmente sexo, mas faz-se referência ao vampirismo. As trilhas sonoras são freqüentemente instrumentais em seu todo, mas, às vezes, podem incluir uma canção que se encaixe numa ou outra categoria.

Música Vampírica com letra Óbvia

Um dos primeiros exemplos de rock vampírico vem do disco New York Rock and Roll Ensemble (Atco Records), com o conjunto do mesmo nome. É intitulado "Gravedigger" (coveiro) e a canção vai do ponto de vista do coveiro ao da vampira e vice-versa. Além dessa fraqueza, a narrativa é bem feita, relatando a fascinação do coveiro pela mulher enterrada: "Her lips are painted red/And it looks like she`s been fed/And there`s a smile upon her face.."

O Siouxsie And the Banshees é um produto do movimento punk rock da Inglaterra no final dos anos 70. Sua música angular está repleta de imagens estridentes, e a canção "We Hunger", do álbum Hyaena ( Geffen Records, 1984), equipara os vampiros aos parasitas sanguessugas, à ferrugem, à corrosão e a sementes apodrecidas. A canção é bastante direta, empregando frases como "belching foul breth"("Hálito arrotado fedorento" ), "Kiss your destructive Death" ( "seu beijo de morte destrutivo") e "The thirst from a vampire bite" ( "a sede de uma mordida de vampiro") .

O álbum Bloodletting, de 1990, do conjunto Concrete Blonde, contém não uma, mas três músicas de vampiro. A música título, também conhecida de passagem como "Vampire Song", parece Ter sido influenciada por Anne Rice. Referências a Nova Orleans, jardins à noite, embriaguez de sangue e matança aparecem por toda a música. O coro ainda afirma, "o YOU ARE A VAMPIRE AND BABY/I’m walking dead". Também no disco Bloodletting, " a Besta" compara o amor ao vampiro e a outras criaturas. A obscura visão romântica da letrista Johnette Napolitano esta resumida nesta letra: "Love is the leech, sucking you up/Love is a vampire, drunk on your blood/Love is the beast that will tear out your hera" ( " O amor é um sanguessuga, sugando você por inteiro/o amor é um vampiro, bêbado pelo seu sangue/O amor é a besta que vai arrancar seu coração")

Embora superficial, uma das canções mais engenhosas é "Bela Lugosi"s Dead", do Bauhaus, do álbum Teeny (Small Wonders Records, 1979). A música é um pastiche de imagens verbais e musicais. Mesmo que não tivesse sido usada na abertura de The Hunger, ainda seria uma canção de vampiro. Aqui encontramos capas pretas de volta no cabite, morcegos que abandonaram o campanário e vítimas que foram sangradas. Os trechos de abertura do coro , "Bela Lugosi"s Dead" é imediatamente seguido do repetitivo "undead, undead, undead". Infelizmente o conceito não foi desenvolvido além destas parcas imagens. A voz profunda e lamentosa do cantor principal Peter Murphy cria uma aura lúgubre de " outro mundo" que permeia a canção.

Pelo mero peso dos números, o gênero Heavy Metal de rock é o que mais tem contribuído para as músicas de vampiro no mercado. Na etiqueta Metal Blade, o grupo Helstar, de Houston, produziu um álbum em 1989 intitulado Nosferatu. Não se encontra um título mais óbvio do que esse. Nosferatu é virtualmente uma ópera rock da versão Dracula(1979) de Frank Langella. Para uma banda de Heavy Metal de vanguarda Helstar consegue algumas passagens acústicas pungentes.

"Night of the Vampire", de Grim Reaper, do álbum de 1987 (RCA) Rock You to Hell, é uma música que trabalha no nível da descoberta visceral de que um espectro no final das contas: "If you think you`re safe at midnight/That´s the last thing you could do/Hell`be looking that midnight bite/He could be coming after you". O coro , "Night of the Vampire/ He`s only looking for you life", perde toda a ameaça disponível aos que estão realmente inspirados.

Temos ainda a "Blood Banquet" , criada pela burlesca Mighty Sphincter para seu álbum de 1986, New Manson Family, para o selo Placebo. O cantor/guitarrista Doug Clark, de voz profunda e melodiosa, transmite a música com delicado equilíbrio de tédio e ameaça.

Em tempos recentes , uma banda tem se destacado por reunir em suas musicas o vampirismo cercado por muito sangue , misticismos e um toque clássico entre o Heavy e o Black Metal , conhecida como Cradle of Filther , suas canções misturam o peso a uma atmosfera sombria e tensa. Seu álbum Vempire é um clássico entre os de seu estilo.

O Vampiro na música clássica

A música clássica foi, desde seus primórdios, dedicada a temas religiosos. Até os tempos modernos, os músicos eram empregados da Igreja ou dos reis, sujeitos a patrocinadores reais, e seus deveres impediam a experimentação. Durante o início do século 19,no auge do fascínio do movimento romântico pelo vampirismo, um compositor alemão, Heinrich August Marschner, escreveu uma ópera de vampiro, Der Vampyr( 1829 ) , uma de apenas duas óperas do gênero conhecidas. A outra é Lamia , de August Enna, que estreou em 1899 em Bruxelas, Bélgica.

No século 19 viu o desenvolvimento do "poema tonal", que é programática no conteúdo – um assunto descrito pela música - , embora nunca tenha sido uma forma tão popular como a sinfonia ou o concerto. Entre as obras programáticas surgiram algumas "escuras", mas muito poucas. A "Sinfonie Fantastique" de Berlioz( 1830) termina com o descanso de uma bruxa. A maior parte da obra de Berlioz constituiu uma ruptura radical para a época. "Mephisto Waltz", de Liszt (1861), baseia-se numa lenda popular na qual o Diabo agarra um violino, num baile e toca melodias sedutoras. Na "Dance Macabre" , de Saint-Saens (1874), a morte toca violino enquanto esqueletos dançam à meia-noite. A folia termina pela manhã. "Night on Bare Mountain" , de Modest Mussorgsky (1877), evoca a noite de Halloween , enquanto espíritos malignos ficam à solta para perambular, ele explicou sua obra como descrevendo "um estrondo subterrâneo de vozes sobrenaturais".

enviada por VAMPIRA






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